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Vira-latas sem complexo

 

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Cláudio Assis

Cláudio Assis na estreia de Largou as botas e mergulhou no céu; bebedeira em São Paulo; entrevista com o diretor pernambucano, que está produzindo Piedade: “o mundo é cruel (…) é pior do que você possa imaginar” (Foto: Pedro Botton)

[Por Bruno Cirillo]

Quarta-feira, 30 de março_ Cláudio Assis chegou pontualmente às 22h20 para a estreia de “Largou as Botas e Mergulhou no Céu”, num dos cinemas do Itaú na Rua Augusta. Equilibrando-se entre um copo de uísque e uma mala, ele atravessou o público que convergia da calçada para a sala 4. Parecia concentrado, evitando olhar para os lados no corredor, com chapéu cubano, uma camiseta estampada “Deu é amor” e impenetráveis óculos escuros, daqueles que cobrem toda a caverna ocular. O cineasta desapareceu no banheiro e foi ressurgir alguns minutos depois na plateia já quase cheia onde o co-diretor Bruno Graziano, deveras barbudo, conclamava sua equipe e os dois convidados especiais (entre eles, o “Claudão”) para se apresentar ao público.

Posicionado ao lado esquerdo do grupo, o pernambucano estava inquieto com a mão esquerda no peito e a outra se agitando pelo ar. Às vezes ele olhava fixamente para baixo, escondendo-se embaixo do chapéu. O poeta Marcelino Freire, seu conterrâneo, foi o primeiro a falar no microfone e contou que tinha sido escolhido para o papel de jumento (na verdade, escreveu um longo poema que dá voz a um jumento no filme, lembrando muito “O burrinho pedrês”, o primeiro dos nove contos de Sagarana, de Guimarães Rosa). Quando ele acabou o discurso, Cláudio Assis tentou pegar o microfone da sua mão. Porém, Graziano foi mais rápido. O anfitrião intermediou a coisa e agradeceu o discurso do poeta antes de passar a palavra para o outro convidado. “Eu vim aqui para dar um beijo nesses filhos da puta!”, começou o cineasta. “Não vão achar que eu gosto de beijar barbudo”, ponderou com um trejeito, “mas se o filme for bom…” Ele revelou que a princípio não queria participar das filmagens, mas acabou topando “porque insistiram pra caralho”.

Os quatro diretores de “Largou as botas…” conheceram Cláudio em Recife no ano passado, em pleno pré-Carnaval. Conviveram uma semana com o pernambucano, passando por terríveis provas para acompanhá-lo até os últimos tragos e realizar as sessões de filmagem em pleno carnaval (como por exemplo dormir no chão da Estação Central de Recife aguardando o primeiro trem passar). Sua participação é um dos méritos do filme, que poderia ser classificado como cinema-verdade, misturando realidade e ficção. Na primeira história, um caminhoneiro segue solitariamente pelas estradas do Nordeste, parando pra escovar os dentes num posto de gasolina. Ele recusa carona a um hippie que tocava violão na porta do banheiro; come marmita enquanto está dirigindo, usa o telefone público de um segundo posto e vai passar a noite numa estalagem. No balcão do bar, uma mulher diz que o esperava lá fazia seis meses. Eles se beijam e dançam e, depois de uma noite juntos, consolando-se no sofá, ela pede que ele fique e ele diz que sim; e vai embora.

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Paulo Junior, Cláudio Assis, Raoni Gruber e Bruno Graziano em meio as filmagens do capítulo “Carneval” na Comunidade Alto Zé do Pinho. (Foto: Marília Costa)

O longa-metragem de 85 minutos é dividido em dez histórias, abordando temas como o sincretismo religioso (uma sucessão caótica de imagens sobre Catolicismo, Umbanda, Candomblé); a violência doméstica (cena gravada no palco de um teatro representando a fuga de uma mulher e sua filha após o assassinato do marido violento numa briga feia de casal); a prostituição; e outros episódios sobre o Nordeste e, para todos os efeitos, o Brasil inteiro. Segundo as falas inaugurais de Graziano, a obra é uma busca pelo espírito brasileiro, sem a pretensão de ser uma mensagem conclusiva, ou algo definitivo. (Vale dizer que a essência de Macunaíma era não ter caráter.) “É cinema vira-lata, mas sem complexo”, disse o co-diretor na apresentação, explicando que a produção é resultado de uma viagem de quatro amigos movidos pela vontade (essa substância, segundo Balzac) de fazer cinema. Evidencia-se, na passagem dos episódios, que os diretores fizeram do filme um laboratório para provar diferentes linguagens cinematográficas. “Um ano depois de retornarmos do Nordeste com o filme que quisemos fazer, chegou a hora de uma primeira sessão para a equipe, os familiares e os amigos”, dizia o convite para a estreia.

Para gravar a história do título, os diretores levaram uma família do sertão para descobrir o mar. A chegada dos personagens reais à praia pela primeira vez foi retratada num tom brega-majestoso: eles ficam parados diante da câmera encarando o espectador com um extravagante figurino de turista no litoral — a quebra da quarta parede é um recurso recorrente no filme e muitas cenas marcantes são determinadas pela relação direta dos personagens com a câmera. A criança toma um gole do mar e faz cara feia por causa do gosto inesperado; o adolescente chuta uma bola contra as ondas que a trazem sempre de volta; a família sertaneja mergulha pela primeira vez nessa água salgada e revolta. O quadro seguinte é uma espécie de clipe de música com críticas ao consumo e à televisão; no próximo, a rotina de um pescador é filmada com uma câmera antiga em preto e branco, com a imagem solta convulsionando frequentemente em direção às nuvens, levando ao limite a influência autodeclarada de Glauber Rocha. Um dos melhores episódios representa o encontro de duas mulheres que bebem e transam antes de uma delas sair engatinhando pelada na varanda para fazer uma orgulhosa confissão com os olhos grudados no espectador.

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Frame do capítulo “Largou as Botas e Mergulhou no Céu” que dá nome ao filme.

Três falhas técnicas interromperam a sessão de estreia. O filme foi exibido em blu-ray porque houve algum problema com a “película” digital, o tal DCP, que ficara pronto horas antes da sessão. Na terceira parada, quando passava uma série de entrevistas lúdicas feitas com crianças em Salvador, o projetor precisou ser reiniciado. “Culpa do Sérgio Moro!”, gritou Cláudio Assis de algum lugar na penúltima fileira. O cineasta entrava em cena num dos capítulos a seguir, “Carneval”, que se passa em Recife e traz declarações, por exemplo, do cantor Otto sobre o carnaval pernambucano. Cláudio passeia pelas ruas questionando o sentido da festa. Depois de tapear um baseado e xingar toda sorte de careta (“o mundo é dos caretas, e os caretas são uns filhos da puta!”), ele apresenta a sala de cinema pornô onde exibiu o seu primeiro curta, contando a história inédita do Padre Henrique, vítima assassinada da ditadura militar. A sessão de estreia atraiu um grupo de freiras para o cinema, geralmente dedicado às mais artísticas sacanagens. Cláudio está permanentemente bêbado e a câmera fica girando à sua volta enquanto ele faz entrevistas e monólogos, o que dá ares vertiginosos ao episódio. O cartaz do filme tem elementos de arte semelhantes aos que compõem os cartazes de “Terra em Transe” e “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. No último quadro, um homem inexplicável aparece no meio do sertão profetizando e gargalhando diretamente para o espectador. Ele lambe a lente da câmera para pontuar o discurso. O filme é encerrado, junto ao letreiro, com um áudio da resposta de Cláudio Assis para a presumível pergunta sobre o que é cinema para ele.

A plateia aplaudiu fortemente e esperou o letreiro terminar, aplaudindo mais uma vez em seguida, muitos de pé. Ainda em meio às palmas, Cláudio Assis se levantou e começou a discursar no flanco esquerdo do cinema (para quem olha a tela). “Sabe o que vai acontecer, gente? Vocês me desculpem, mas eu preciso falar. Esse filme não vai ser exibido em lugar nenhum. Esse tipo de filme não tem espaço no Brasil!” Houve quem o chamasse de inconveniente, mas a maioria consentiu. O co-diretor Raoni Gruber tomou o microfone para dizer que era preciso liberar a sala. “A conversa continua no Miranda, a primeira rodada é por nossa conta!”

“O Cláudio falou que, tirando as merdas, o filme está bom”, brincou Graziano quando as pessoas já estavam na saída do Itaú Cultural, pensando cada uma no rumo que iria tomar. Para acompanhar a equipe, Cláudio largou a porta do cinema e mergulhou no bar combinado. Uma poetisa conversava com o cineasta. “Eu atraio os loucos”, ela comentou entre suspirante e orgulhosa. Nas conversas, o pernambucano fazia muitas digressões, interjeições, tergiversações. Ele contou que começou sua carreira sendo ator de teatro e ajudando na formação de cineclubes, o primeiro deles em Caruaru. “Sozinho, você não faz nada. Participei da formação de quinze cineclubes em Recife e outras cidades” (…) “Hoje é fácil fazer cinema, naquela época era impossível. Eu decidi que acabaria por me foder, mas seria cineasta” (…) “Tenho que falar, o mundo é cruel. O mundo é cruel com todo mundo (…). É pior do que você possa imaginar”.

Fugindo da pergunta sobre cinema europeu, o cineasta contou que tem uma filha arquiteta que estudou na Itália. “Eu dei tudo pra ela”, ele disse, “mas tenho que dizer, você me desculpe, arquitetura é foda”. Cláudio acredita que a arquitetura seja um dos ofícios mais relevantes para a construção social, como o cinema, a literatura e as artes plásticas. “Temos que pensar no futuro. Esse filme que acabamos de ver é para o futuro”, disse efusivamente, com as mãos apontadas para algum foco reservado aos gênios. O cineasta é fã do poeta russo Vladimir Maiakovisk, um futurista. Quando o assunto foi o amigo Kléber Mendonça Filho, diretor de “O Som ao Redor”, Cláudio Assis fez uma espécie de confissão: “Ele é melhor do que eu”.

O Miranda fechou cedo por causa da Lei do Psiu e o grupo de boêmios migrou — não sem questionar o autoritarismo implícito na situação — para o Pescador, um dos únicos bares que ainda ficam abertos no Baixo Augusta em dia de semana, ao que tudo indica, depois da uma da manhã. No meio do caminho, dois policiais encostavam a viatura para mexer com uma prostituta de vestido bege, e alguém anunciou que ali estava uma boa cena para um filme de Cláudio Assis. Quase chegando ao boteco, o cineasta zarpou à francesa num táxi para o Teatro Oficina, onde o seu amigo José Celso Martinez Correia, o diretor Zé Celso, fazia aniversário. Graziano correu para falar com o Cláudio na janela do táxi, e voltou de lá dizendo que havia a possibilidade de todo mundo ir para a mesma festa. Isso causou certa empolgação, mas era difícil acreditar que permitiriam a entrada de quinze estranhos no aniversário. A hipótese foi logo abandonada.

Cláudio reapareceu poucos minutos depois com a notícia de que Zé Celso, que completava 78 anos (Cláudio Assis tem 56), já tinha ido dormir. “Não fala pra ninguém.” Sob uma árvore defronte o boteco fuleiro, Graziano pediu ao pernambucano que criticasse o seu filme. O cineasta se recusava a falar enquanto o pequeno círculo formado em torno da pergunta não calasse cada qual a sua respectiva boca. Finalmente, ele disse: “Esse filme padece de possibilidades.” Pairou o silêncio e os dois cineastas se encararam por alguns segundos, até que surgiu, na cara do pernambucano, uma nesga de sorriso. “Você quer elogiar”, arriscou o paulistano, em referência direta à aversão do mestre a qualquer tipo de elogio. “Se quiser brigar também…” E Cláudio começou a acenar positivamente com a cabeça: “O filme tá bom pra caralho, porra!”

Diretores e Marcelino Freire antes da sessão. (fotos: Pedro Botton)

Sábado, 2 de abril_ Depois de três dias resumidos como uma maratona de bares e conversas cinéfilas pelos cantos da capital paulista, Cláudio e Graziano tomavam uns copos no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt. O uísque do pernambucano estava aguado, como o uísque de alguém que sabe realmente beber e/ou que bebe uísque com muita frequência, fruindo a lenta decomposição do punhado de gelo indispensável para estômagos sujeitos à excessiva presença da bebida em suas dobras. Se não existem cowboys brasileiros que bebem uísque quente a goles secos, há vaqueiros muito mais interessantes do que o velho clichê de Marlboro no Nordeste, diga-se de passagem. Dois atores, um homem e uma mulher, completavam a mesa.

Ali estava o diretor de Amarelo manga. O filme que está produzindo atualmente se chama Piedade, e terá a participação dos atores Ihrandir Santos e Matheus Nachtergaele. O repórter aproveitou que Graziano foi enfrentar 15 minutos de fila até o banheiro — fila que por algum motivo se estendia da área dos palcos até a porta da rua, como se estivéssemos presenciando a estreia da melhor peça do ano —, para gravar a seguinte entrevista com Cláudio Assis, que tinha apenas uma vaga lembrança de ter falado com o mesmo repórter três dias antes. O repórter é um transcritor:

[vozes, diálogos, tilintar de copos e garrafas, o som abafado de um bar]

A gente se conheceu na estreia de “Largou as botas e mergulhou no céu”, uma série de histórias no Nordeste. O que você achou do filme, qual é a sua opinião?

CA: Olha, assim… É, eu acho, eu acho…

[diálogo ao fundo] O Rocha, cadê ele?

Então, ele está morando depois do Recreio agora, ele está morando no Rio.

CA: Eu acho que, regra geral, o cinema nacional é muito careta, é muito dito de que forma você tem que fazer. Eu acho…

…eu acho que ele achou…

CA: …que esse tipo de cinema é um cinema que abre portas pra você poder brigar, discutir, depor, fazer. Esse tipo de cinema é um cinema que, visse, você é capaz de fazer cinema. Que a juventude pode fazer cinema. O cinema não é só o enquadramento.

Para fins de objetividade, como você classificaria esse filme e quais semelhanças ele tem com o seu cinema?

CA: Vontade de fazer, ele tem [semelhança] pelo desejo, pelo tesão. O despojamento de você ir atrás de uma ideia.

Na noite da estreia, você olhou para o Bruno e disse: “esse filme padece de possibilidades”. O que você queria dizer com isso?

[um tempo] CA: Depois eu te respondo.

Mas você falou isso de um modo elogioso, como se isso guardasse um elogio, na verdade. Essa foi a sua síntese.

[risos; CA afasta o repórter com um gesto largo, inclinando-se sobre a mesa]

Você lembra. Ah, disso você lembra!

CA: Filho de rapariga.

Não, a compreensão que eu tive da sua fala foi que o filme padece de possibilidades de disseminação, de transmissão.

CA: Deixa eu… daqui a pouco… é isso. Lógico que é isso. Ele padece… São 300 filmes de vocês jovens, de vocês que têm ideias e padecem de aparecer. É o padecer da compreensão, o padecer do fazer, é o padecer de (não) ser visto, o padecer de (não) ser compreendido, é o padecer de um leque com abertura pra você poder dizer: não gosto, e também posso fazer.

Você também falou que é um filme para o futuro, pra quebra de paradigmas do cinema que a gente tem hoje e o surgimento de novas visões. É possível que esse tipo de cinema seja, daqui a alguns anos, a referência?

CA: Já está sendo. Não é que vai ser. Está sendo. Hoje tem vários filmes no Brasil, e não só no Brasil, que estão andando pelo caminho que não é o normal do cinema. Que realmente buscam novas ideias. O americano já se fodeu. O europeu também. Tem que buscar. A busca pelas ideias é um negócio que sempre existiu, e tem que ser assim porque sem isso o cinema não é nada. O cinema é uma arte da revolução. Cinema, cinema é uma arte revolucionária. Ela é uma busca pela desconstrução da mesmice. Uma busca do olhar.

[alguém tosse forte]

CA: …esse filme maravilhoso, eu participo dele, eu me tiraria dele. Eu cortaria minha cena dele, se eu fosse diretor.

Por quê?

CA: Sei lá, por que o Cláudio Assis ali? Bota o [três nomes inaudíveis], bota gente bacana.

Mas é uma das melhores cenas, a sua.

CA: É bom que eu vou poder mostrar pro meu filho. Eu quero que o meu filho veja.

Você já tinha atuado em filmes?

CA: Muitas vezes. Na origem, eu sou ator de teatro. Já fui o ator principal de Conceição, do Heitor Dhalia, fiz Crime Delicado. Mas não é o meu forte. Tem outros filmes [“Largou as Botas…” é o 5º filme em que o cineasta trabalha como ator, segundo o IMDB]. Eu não gosto de atuar. Eu vou porque é questão de um abraço, é dar um abraço nos meus amigos. Não porque eu queira. É dar um abraço.

No caso de “Largou as botas…”, você foi porque se identificou com a proposta deles?

CA: No começo eu briguei: “não quero, não quero”. Depois entendi que a ideia era importante e tentei colaborar. Entendi a guerrilha dos caras, entendi a proposta deles. A gente tem que se ajudar. Não é por causa de dinheiro, não é pra aparecer: é por conta da ideia.

Você colocaria o filme deles no mesmo universo dos seus filmes?

CA: Lógico. Lógico!

Cinema-verdade, essa é a expressão adequada?

CA: É… é um cinema diferente do meu, mas tem as coisas aqui e lá, eles são mais… reduzidos. Comigo… [inaudível, ele fala alguma coisa de “grana”…] muito pouco dinheiro, muito mais ideia.

Quanto custa um filme seu?

CA: Depende quanto tem.

Em média?

CA: Um milhão, um milhão e meio. O deles custou…

Oitenta paus.

CA: Vai tomar no cu.

Não é muito pra fazer um filme?

CA: Vai tomar no cu! No Brasil…

Mas os teus primeiros filmes custavam quanto?

CA: Ah, não custavam nada. Não custavam porra nenhuma.

Glauber Rocha também gastava pouco em seus filmes, não?

CA: Isso tudo é uma questão de circunstâncias de um país que não sabe homenagear, não sabe contemplar os artistas que estão nascendo. Entendeu? Isso é foda! Ah, é porque fulano… Ei, e a ideia? Não é? E não vem o novo não, é? Não vem o novo olhar na fotografia, não vem o novo olhar da atuação, não vem o olhar na arte, não vem o olhar no… Não vem o olhar… Não vem? Vem. Vem porque vem. Queira você, queira eu ou não, vem. Queira você, queira o cinema ou não, vem.

Mas a questão é saber quanto o País vai deixar isso crescer.

CA: Não deixa, né.

É.

[Os dois atores levantam da mesa com seus copos]

Vamos ali fora. (o ator)

Ali na frente, ó. Ali na frente. Tomar um ar. (a atriz)

CA: Desculpa, hein. Tchau.

Não, não é tchau, a gente só vai tomar um ar. (a atriz)

Não, que tchau, vamos ficar aqui na porta. Só pra ficar mais… (o ator)

A gente volta.

[Graziano volta finalmente do banheiro indicando a fila enorme e morosa]

BG: Tomar um ar e fugir da…

CA: Vão mascar chiclete…

(os atores:)

É, aí a gente pode fumar e beber. Um ar é importante também.

Ó, depois quero falar com você.

[Um tempo; uma conversa distante]

Obrigado. Quer continuar gravando, eu faço novas perguntas. Mas também não quero te incomodar com perguntas.

CA (para BG): Ei, tudo isso é um negócio pra eu ver, porque eu pedi uma dose que tu não deu… [inaudível] Dei entrevista falando mal do teu filme, e tu não compreendeu. Qual é a tua? Me bota pra dormir com cachorro…

BG: E com uma gata de olho azul.

Cadê ela?

BG: Eu chamei. Ela está com umas amigas aí, talvez ela vá na festa hoje. Mas eu não quero ouvir a entrevista, eu quero ler depois. Eu quero ler depois.

CA: [som de copo batendo na mesa] O negócio é o seguinte: sabe por que o filme dele não presta? Quer que eu diga…? [barulho de gravador ligado sendo pego] Não está gravando não, né, seu filho de rapariga?

Está gravando.

CA: Ah, então vai tomar no cu.

Deixa gravar, pô!

[risos, algazarra; novas vozes em segundo plano]

Ó o grampo, ó o grampo! Está grampeado. (voz 1)

Não, mas estava dito que estava gravando.

CA: Ah, então estava gravando. Aí não…

Grampeou. (voz 2)

Igual Polícia Federal. (voz 1)

Vocês querem que eu desligue essa porra, então eu desligo.

Ih, ih. (voz 2)

Aqui é pernambucano também. Sou de Caruaru. (voz 1)

BG: Quero ouvir a opinião sobre os cachorros.

É intimidador isso aí. (voz 1)

É menos intimidador que uma câmera, não?

Tá bom.

BG: Rolou já?

Vou cortar. Tá bom.

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